GOE ameaça parar por falta de investimento
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- Publicado Terça-Feira, 27 Dezembro 2011 10:21
Há mais de um ano que os treinos de tiro não são feitos com balas reais, entre outros constrangimentos.
Desde há um ano que o treino com munições reais não existe. Se tivermos de intervir numa situação a sério, as coisas vão correr mal. Estamos a ponderar entregar os nossos capacetes." O descontentamento era visível entre os cerca de 40 elementos operacionais do Grupo de Operações Especiais (GOE) da Unidade Especial de Polícia (UEP) da PSP - mais de 50% do efectivo - reunidos ontem à tarde para mostrar "às hierarquias e ao Governo" que "o desinvestimento existente no GOE" os pode levar a parar de exercer as suas funções. O CM contactou a Direcção Nacional da PSP que não quis prestar "qualquer comentário".
"Queremos mostrar que não somos a elite e os profissionais que éramos há um ano. Tudo porque não nos são dadas verbas", contou ao CM um dos operacionais, 35 anos, que não quis ser identificado.
As principais queixas dos elementos desta subunidade da PSP dizem respeito à falta de equipamentos, de investimento e principalmente à "incompetência do comandante interno", o que levou os operacionais a ameaçarem agora "entregar os capacetes" em sinal de protesto.
As munições utilizadas nos treinos, "anteriormente feitos diariamente com balas verdadeiras", reduzem-se agora a "corridas matinais e ginásio". Os elementos afirmam que "com a criação de outras subunidades, os meios foram repartidos e deixaram para trás quem sabe disparar". Os operacionais do GOE só têm direito a dez balas reais por mês para fazer treino de tiro.
O descontentamento passa pela "falta de estruturas" e à "passagem de missões de segurança pessoal no estrangeiro de obrigatórias para voluntárias". Os GOE contestaram ainda a acção do seu comandante directo e do comandante da UEP.
"Treinos regulares nulos"
"Pode-se dizer que os treinos regulares que fazíamos na ‘casa da morte' são neste momento nulos", referiu ao CM um operacional do Grupo de Operações Especiais que participou na reunião realizada ontem à tarde.
A ‘casa da morte' é uma moradia situada na Quinta das Águas Livres, em Belas, sede da Unidade Especial de Polícia da PSP, utilizada pelos operacionais para treinarem diversas intervenções em situações de crime. A ‘casa da morte' dispõe de mobílias, objectos e acessórios que tornam as abordagens o mais diferentes e reais possíveis. Nas simulações de possíveis cenários participam elementos da polícia, a interpretarem o papel de reféns. Nestes exercícios são treinados essencialmente a preparação para neutralizar ‘criminosos' e defender as ‘vítimas'.
Acusados de "prepotência e incompetência"
Os elementos do Grupo de Operações Especiais acusam o actual comandante da Unidade Especial de Polícia da PSP, superintendente-chefe Magina da Silva, de se "ter servido da unidade GOE para se projectar", devido à "ganância e poder de ascensão que o contagiaram." O superintendente-chefe liderou o GOE antes do actual comandante, Carlos Ribeiro, também contestado no encontro dos operacionais, que referiram que a "incompetência do comando do GOE, nomeado em circunstâncias estranhas uma vez que não tem o curso de operações especiais ", o transformam "num elemento limitador."
"Queremos alertar o poder político"
Peixoto Rodrigues, presidente do Sindicato Unificado da Polícia/PSP, esteve ontem presente no encontro realizado com os membros do Grupo de Operações Especiais. "Queremos alertar a Direcção Nacional e o poder político em relação ao desinvestimento na unidade", referiu o presidente, quanto aos objectivos principais que esperam obter com a contestação. "As hierarquias têm viaturas disponíveis 24 horas e aos fins--de-semanas. Aos operacionais foi dito que não podem ser feitos certos exercícios porque não há dinheiro para combustível", afirmou Peixoto Rodrigues.



